ALDA E NCA PROMOVEM DIÁLOGO SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS E RESILIÊNCIA COMUNITÁRIA NO CUNENE
Mesa-redonda reuniu representantes do Governo, sociedade civil,
autoridades tradicionais, líderes religiosos, estudantes e comunidades para identificar desafios e soluções sustentáveis face aos impactos das alterações climática
s

No âmbito do projeto “Desenvolvendo a Resiliência das Comunidades”,
implementado pela Associação Luterana para o Desenvolvimento de Angola
(ALDA) com o apoio financeiro da Ajuda da Igreja Norueguesa (NCA), realizouse
na província do Cunene uma Mesa-Redonda subordinada ao tema “O
Impacto das Mudanças Climáticas no Desenvolvimento das Comunidades:
Desafios, Caminhos e Soluções para um Futuro Sustentável”.


A iniciativa reuniu representantes de instituições governamentais, organizações
da sociedade civil, autoridades tradicionais, líderes religiosos, estudantes,
parceiros locais e membros das comunidades diretamente afetadas pelos
impactos das alterações climáticas, criando um importante espaço de diálogo,
reflexão e construção conjunta de soluções para os desafios ambientais que
afetam a província.


Durante o encontro, os participantes analisaram os efeitos crescentes das
mudanças climáticas sobre os meios de subsistência das populações, com
particular destaque para as secas prolongadas, cheias recorrentes, degradação
dos recursos naturais, escassez de água, insegurança alimentar e os impactos
socioeconómicos sobre as famílias rurais.

Os debates permitiram igualmente identificar os principais constrangimentos que
limitam a capacidade de adaptação das comunidades e discutir estratégias
orientadas para o fortalecimento da resiliência local e para a promoção de um
desenvolvimento mais sustentável e inclusivo.


Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Comunitário
Os participantes reconheceram que as mudanças climáticas representam um dos
maiores desafios ao desenvolvimento das comunidades da província do Cunene,
afetando particularmente os sectores da agricultura, pecuária, gestão dos
recursos naturais e segurança alimentar.


Foi igualmente destacado que a crescente frequência de fenómenos climáticos
extremos exige respostas coordenadas e sustentáveis, envolvendo instituições
públicas, organizações da sociedade civil, autoridades tradicionais, comunidades
e parceiros de desenvolvimento.


Ao longo das discussões, foi amplamente reconhecido que a educação ambiental,
a mobilização comunitária, a adoção de práticas produtivas resilientes e a
cooperação entre os diversos actores locais constituem elementos fundamentais
para reduzir a vulnerabilidade das populações e aumentar a sua capacidade de
adaptação.


Recomendações à Sociedade Civil
Entre as principais recomendações dirigidas às organizações da sociedade civil,
líderes comunitários, instituições religiosas e cidadãos, destacam-se:


 O reforço das ações de educação e sensibilização ambiental junto das
comunidades;
 A promoção da utilização das línguas nacionais nos processos de
informação e mobilização comunitária;

 O incentivo à participação das comunidades nas Escolas de Campo para a
aprendizagem de práticas de adaptação climática;
 A adoção e disseminação de práticas agrícolas resilientes às alterações
climáticas;
 A promoção da produção comunitária de pastos e forragem para reduzir
os impactos da seca sobre a pecuária;
 O fortalecimento da proteção e gestão sustentável dos recursos naturais;
 O reforço dos mecanismos de cooperação e diálogo entre comunidades,
organizações da sociedade civil e instituições públicas;
 A promoção da participação comunitária nos processos de planeamento,
implementação, monitoria e avaliação das ações relacionadas com a
adaptação às mudanças climáticas.

Recomendações ao Governo
Os participantes formularam igualmente recomendações dirigidas às instituições
governamentais, apelando para:
 O reforço das políticas públicas de adaptação às mudanças climáticas;
 O aumento dos investimentos em infraestruturas de abastecimento de
água;
 A realização de visitas técnicas regulares às comunidades mais afetadas
pelos impactos climáticos;
 A adequação dos calendários agrícolas às novas realidades climáticas;
 O fortalecimento da coordenação entre os sectores da agricultura,
ambiente, recursos hídricos, educação, saúde e proteção civil;
 A implementação de planos de contingência para garantir a continuidade
do ensino em situações de emergência climática;
 O reforço da fiscalização ambiental e da proteção dos recursos naturais;
 O desenvolvimento de programas permanentes de capacitação
comunitária;
 O fortalecimento das parcerias estratégicas entre o Governo e as
organizações da sociedade civil.


Compromisso com a Resiliência Comunitária
A realização desta mesa-redonda reforça o compromisso da ALDA e da Pão para
o Mundo em promover soluções participativas e sustentáveis para enfrentar os
desafios impostos pelas mudanças climáticas.


Através do projeto “Desenvolvendo a Resiliência das Comunidades”, a ALDA continua a trabalhar lado a lado com as comunidades, autoridades locais e
parceiros institucionais para fortalecer a capacidade de adaptação das
populações, promover a gestão sustentável dos recursos naturais e contribuir
para a construção de comunidades mais resilientes, inclusivas e preparadas para
os desafios do futuro.


A ALDA acredita que apenas através da cooperação, da participação cidadã e do
investimento em soluções sustentáveis será possível construir um futuro mais
seguro e resiliente para as comunidades da província do Cunene e de Angola em
geral.


Juntos, desenvolvemos comunidades mais resilientes para um futuro sustentável.

Luzia da Purificação Palaia

Luzia da Purificação Palaia