Comunidade do Cuvelai troca enxada por estratégia e coloca ervas daninhas no banco dos réus
Cuvelai, Cunene | Abril 2026
O sol ainda ia alto quando 65 vozes encheram o jango da aldeia do KM 27. Não era festa. Era diagnóstico. Pela primeira vez, homens e mulheres sentaram-se lado a lado para mapear o que têm e o que falta. "Não viemos trazer soluções. Viemos encontrar convosco", explicou a equipa da ALDA ao abrir o Diagnóstico Rural Participativo.
O resultado? Nasceram no mesmo dia 4 estruturas que já estão a mudar a rotina: Comité de Desenvolvimento da Aldeia, Grupos de Poupança e Crédito, Grupos de Água e Saneamento e Escolas de Campo. Os SACs, liderados por mulheres, já discutem crédito para bolinhos e pão. As ECAs preparam a primeira capina colectiva.

O inimigo tem nome: tiririca
"Ela rouba água, comida e luz das nossas plantas", resumiu um agricultor durante a formação. A ALDA mostrou como vencer: sacha na hora certa, cobertura do solo e rotação de culturas. "Se a erva não dorme, nós também não", brincou Mama Ndapanda, enquanto demonstrava a capina.
Saldo do dia: 33 homens, 32 mulheres, zero discursos. Só trabalho. O próximo encontro já tem data: formação do CDA em direitos humanos. Porque resiliência também se planta com lei.

Juntos podemos salvar vidas e transformar comunidades.
Associação Luterana para o Desenvolvimento de Angola.
