No passado dia 5 de março, a Associação Luterana para o Desenvolvimento de Angola (ALDA) promoveu uma formação de refrescamento dirigida a Agentes de Desenvolvimento Comunitário (ADCs), estagiários e coordenadores de projectos, com foco no fortalecimento das Escolas de Campo de Agricultores (ECAs). A iniciativa revelou-se estratégica não apenas para consolidar conhecimentos técnicos, mas sobretudo para acelerar o processo de reconhecimento formal das ECAs e reforçar a qualidade da intervenção comunitária.
Durante a sessão, os participantes revisitaram o historial das ECAs e aprofundaram componentes chave da sua metodologia, como a escada metodológica, o Diagnóstico Rural Participativo (DRP), a estrutura organizacional das escolas, e a importância do caderno da ECA como instrumento de registo e monitoria. Foram igualmente abordados elementos técnicos como as parcelas de aprendizagem incluindo GIPP (parcela técnica), PEE (parcela de estudo específico), PP(parcela de produção), PL (parcela local) e PMS (parcela de multiplicação de sementes) fundamentais para a experimentação e disseminação de boas práticas agrícolas.

A formação destacou ainda a estrutura das sessões típicas das ECAs, que incluem momentos de saudação, oração, dinâmicas participativas, recordatório, registo de gastos, desenvolvimento do tema central, avaliação da sessão, planificação e chamada. Estes elementos garantem organização, participação activa e aprendizagem contínua no seio dos grupos.
Um dos pontos altos do refrescamento foi a abordagem dos critérios exigidos para o reconhecimento formal de uma ECA. Entre os requisitos destacados constam a existência de um espaço físico adequado (com área definida), identificação do grupo e placa sinalizadora, caderno de registos, parcelas de aprendizagem estruturadas, sistema de cotização, regulamento interno, currículo de capacitação, comissão de gestão, conta bancária e um jango com capacidade para cerca de 35 membros. Estes critérios são determinantes para assegurar a institucionalização e sustentabilidade das ECAs.
Este refrescamento assume um papel crucial no processo de reconhecimento das ECAs, pois garante que todos os intervenientes dominem os critérios técnicos e organizacionais exigidos. Ao uniformizar conhecimentos, a ALDA assegura que as escolas operem segundo padrões de qualidade, aumentando a sua credibilidade junto das autoridades locais e parceiros institucionais. Além disso, fortalece a capacidade de monitoria, avaliação e prestação de contas elementos essenciais para a formalização e expansão das ECAs.

A formação está diretamente alinhada com a abordagem Training of Trainers(ToT), ou seja, “formar formadores”. Ao capacitar ADCs, estagiários e coordenadores, a ALDA multiplica o conhecimento de forma sustentável. Estes participantes tornam-se agentes replicadores, capazes de transferir metodologias e conteúdos para os agricultores nas comunidades. Isso garante maior alcance, consistência metodológica e autonomia local, pilares fundamentais para o sucesso das ECAs.
Com esta iniciativa, a ALDA reforça o seu compromisso com o desenvolvimento comunitário sustentável e a promoção da agricultura familiar resiliente. O refrescamento contribui para melhorar a qualidade das intervenções no terreno, fortalecer a governação das ECAs e acelerar o seu reconhecimento institucional. Em última análise, trata-se de um investimento direto na capacitação das comunidades, promovendo segurança alimentar, inclusão social e desenvolvimento económico local.

A formação de refrescamento não foi apenas um momento de revisão de conteúdos, mas sim uma ação estratégica que consolida as bases para o crescimento e reconhecimento das ECAs como pilares fundamentais do desenvolvimento rural no Cunene.
Juntos podemos salvar vidas e transformar comunidades.
Associação Luterana para o Desenvolvimento de Angola.
Por: Sónia Mpaka Nfita
