Na última quinta-feira, decorreu o programa Construindo Resiliência nas Comunidades, subordinado ao tema “Resiliência climática no Cunene: Caminhos comunitários para enfrentar a seca e garantir o futuro”. O encontro contou com a participação de Santos Nzayadio e do Sr. Lázaro, chefe do Departamento do Ambiente, Gestão de Resíduos e Serviços Comunitários do Gabinete Provincial do Cunene.
Durante o debate, foi destacado que uma das principais orientações estratégicas tem sido a capacitação e preparação das comunidades, com foco no uso adequado de recursos e na adoção de estratégias para enfrentar as mudanças climáticas. Os intervenientes sublinharam a importância de unir o conhecimento ancestral das comunidades com novas tecnologias e abordagens científicas, promovendo soluções mais eficazes e sustentáveis.
Os principais impactos das mudanças climáticas na região foram apontados como sendo a seca, a perda de gado, a fome e a deslocação das populações. Apesar desses desafios, reconhece-se que as comunidades possuem um forte espírito de resiliência, baseado em práticas tradicionais de adaptação.
A resiliência climática foi apresentada como assente em dois pilares fundamentais: adaptação, relacionada ao ajuste das formas de vida perante fenómenos como seca e cheias, e mitigação, que inclui o uso de tecnologias, como sementes melhoradas resistentes à seca, e outras soluções inovadoras.

Os participantes enfatizaram ainda a necessidade de um esforço conjunto entre governo, organizações não-governamentais, universidades e comunidades, destacando o papel das ONGs no apoio direto às populações. Foi também reforçada a importância de investir em infraestruturas básicas, como sistemas de captação e armazenamento de água, saúde, educação e estradas, como forma de preparação antecipada para calamidades.
Entre as soluções práticas apresentadas, destacam-se a agricultura regenerativa, o aproveitamento de águas pluviais, a reflorestação e o combate à desflorestação e queimadas. A participação ativa das comunidades na definição de políticas públicas foi igualmente defendida como essencial.
Outro ponto relevante foi o papel da mulher como agente fundamental no desenvolvimento comunitário, sobretudo na gestão dos recursos e na organização familiar. Foram também evidenciadas iniciativas locais, como grupos comunitários e associações que promovem poupança, formação e atividades económicas.
O programa concluiu que, embora os fenómenos como a seca sejam naturais, os seus impactos são também sociais, económicos e ambientais, exigindo respostas integradas e contínuas. A aposta na preparação, capacitação e inclusão das comunidades foi apontada como o caminho para garantir maior resiliência e um futuro sustentável no Cunene.
Juntos podemos salvar vidas e transformar comunidades.
Associação Luterana para o Desenvolvimento de Angola.
